iv.01 Introdução ao Estudo Metódico


Em meu aprendizado da Viola de Arco, o exercício constante da sua execução me levou a reunir as melhores práticas que me conduziram ao estágio atual. Partindo do princípio que todo aprendizado é infinito, este material estará em constante atualização.

Segundo Michaelis, e dentre tantas definições, Método é "Maneira de fazer as coisas; modo de proceder". Por isto o fato dos métodos não serem auto-explicativo, ou mais didáticos e próximo do estudante. O objetivo dos métodos é de apresentar ao estudante o "modo de executar" o instrumento através de variados treinos propostos, e exaustivos muitas vezes.

Deixo claro desde já que não tenho graduação em música nem pedagogia, por isto me sinto intimidado em opinar sobre os métodos do ponto de vista autoral.

Mas, certamente como estudante posso dizer que os métodos, em geral, têm suas propostas de treinos dispostas numa evolução sequencial ascendente, ou seja, os primeiros exercícios são bem simples, muitas deles até são óbvios de um ponto de vista conceitual, e assim a dificuldade se ascende até a sua forma mais complexa.

Todavia minha percepção da dificuldade dos métodos tem sido que estes evoluem exponencialmente, ou seja, do simples para o muito complexo num curto espaço de tempo. E indo contra este comportamento, nosso aprendizado não é tão pouco retilínio nem tão pouco ascendete. Somos, no aprendizado, simplesmente redundantes.

E para ilustrar esta redundância é como dizer que precisamos, após subir dois degraus no aprendizado, voltar um. E voltamos para consolidar a experiência adquirida. Veja na ilustração que usaremos 5 momentos de tempo para subir três degraus:


  • Momento 1 - Subimos para o 1o. degrau (novidade).
  • Momento 2 - Subimos para o 2o. degrau (novidade).
  • Momento 3 - Descemos para o 1o.degrau, degrau que já havíamos passado 2 momentos antes (revisão de conhecimento).
  • Momento 4 - Subimos para um 2o.degrau, degrau que já havíamos passado 2 momentos antes (revisão de conhecimento).
  • Momento 5 - Alcançamos o 3o.degrau (novidade).

Nesta experiência conseguimos consolidar os degraus 1 e 2 pelo fato de termos retornado neles. E é desta consideração que precisamos ter no Método, mas que não encontramos.

Geralmente os métodos que encontrei propõem um cenário de aprendizado extremamente ascendente para o iniciante, como ilustrado abaixo:



  • Momento 1 - Subimos para o 1o. degrau (novidade).
  • Momento 2 - Subimos para o 2o. degrau (novidade).
  • Momento 3 - Alcançamos o 3o. degrau (novidade).

Resumindo, a revisão do aprendizado não é somente uma ação repetitiva, mas uma oportunidade que o Método nos proporciona de consolidar o aprendizado em num cenário de mais rico de experiência acumulada.

Minha proposta neste exercício de aprendizado é empiricamente poder prover principalmente os autores de Métodos de instrumentos em geral, o retorno do aprendizado de um leigo como eu.

A idéia principal não é denegrir nem elevar nenhum autor nem método específicos, mas sim, a de mencionar dificuldades encontradas. Portanto, não citarei métodos durante este trabalho, mas todos os que forem utilizados serão mencionados no item bibliografia deste trabalho.

iii.02 O Braço

A principal função do braço da Viola de Arco é sustentar e apoiar a execução das 4 cordas do instrumento. O braço é compostos das seguintes partes:


1. A CABEÇA

A cabeça da Viola de Arco é a extremidade superior do instrumento, e basicamente compreende a voluta e a caixa de cavelhas. Este termo não é normalmente empregado, mas utilizaremos aqui para fins didáticos para se referir à esta extremidade do instrumento.


2.VOLUTA

Chamada em inglês de scroll e de volute (menos comum), a voluta tem uma função predominantemente estética e seu entalhe atribui ao instrumento uma personalidade. Geralmente esculpida em madeira aceto, sua forma tradicionalmente espiralada como uma folha de pergaminho enrolada. Este desenho é baseado na extremidade superior de uma coluna, de um pilar ou de uma pilastra, que é denominada capitel. Mais especificamente, a voluta é baseada nos capitéis das ordens arquitetônicas gregas jônica e coríntia e romana compósita.


O estilo, a forma da espiral, o tamanho do olho e do chanfro, entre outras características, são como a assinatura do autor. Num instrumento de fábrica a voluta é feita por uma máquina copiadora, o que padroniza as formas e fazem a voluta ter, normalmente, uma aparência muito grosseira. Por vezes, determinados luthie preferem algo um pouco diferente, como a voluta esculpida por Peter Jay Huiras sob a forma da cabeça de um puma.

3.CRAVELHA

Chamada de peg em inglês, a cravelha é uma peça cônica feita de ébano, mas pode ser também feita de madeira de buxo (boxwood) ou jacarandá (rosewood).
 
 
 
Cada uma das quatro cravelhas possui um orifício onde passa a corda a ser fixada. A cravelha é usada para afinar o instrumento. Girando a cravelha em sentido horário afrouxamos a corda diminuindo o tom da sua corda. Em sentido anti-horário retesamos a corda e aumentamos o tom desta corda. A corda é fixada na cravelha através de um pequeno orifício como ilustrado:
 
As cravelhas são tradicionalmente construídas de ébano, jacarandá (rosewood) ou buxo (boxwood). A variação de temperatura e a umidade podem dilatar ou contrair as cravelhas tornando-as mais resistentes para girar, ou simplesmente afrouxando involuntariamente a corda. Cravelhas modernas feitas de fibra de carbono é uma tentativa de resolver esta questão.


A disposição das cordas sobre as cravelhas vai do interior da caixa de cravelhas para sua borda, mas não de modo se amontoar nas paredes. Veja na ilustração a forma correta:



4.CAIXA DAS CRAVELHAS

Chamada de peg box em inglês, a caixa das cravelhas abriga as cravelhas através de 4 orifícios dispostos nas duas laterais longitudinais da caixa. As cravelhas são introduzidas neste orifícios que oferecem apoios às duas extremidades desta, de forma que os eixos imaginários de rotação da cravelha e vertical da caixa façam um ângulo reto (90 graus).


O ângulo de 90 graus entre os eixos proporciona o perfeito funcionamneto da cravelha.


5.PESCOÇO 

Chamado em inglês de neck, o pescoço é simplesmente uma barra estreita de madeira feita geralmente em aceto e que conecta o corpo à cabeça da Viola de Arco, entendendo que esta seja o conjunto da voluta e da caixa das cravelhas.


O pescoço é exaustivamente chamado de braço. Prefiro utilizar o termo pescoço não pela tradução literal do inglês (neck) mas simplesmente porque fisiologicamente é a parte que une a cabeça ao corpo. A demais, já denominamos de braço ao conjunto da cabeça e do pescoço.

A principal função do pescoço é a de apoiar o espelho, já que este não é suficientemente forte para suportar a tensão das cordas. Por esta razão, se o pescoço fica solto (acontece), as cordas irão afrouxar imediatamente. Suas dimensões e forma são de importância crítica, já que impactam diretamente na facilidade de tocar o instrumento.

O pescoço também é um suporte resistente para o devido apoio da mão esquerda na execução do som.

iii.01. Sua Anatomia

Além de natural, é de suma importância que o aluno interessado em aprender a tocar Viola de Arco saiba os nomes das partes deste instrumento e quais os materiais são utilizados na sua fabricação. Sob uma aparência simples, a Viola de Arco é um instrumento de extraordinária complexidade em que se podem enumerar em torno de 70 peças separadas.


A Viola de Arco é um instrumento formado basicamente por uma caixa com diversos componentes agregados ao seu corpo, e tudo na sua maioria é feito de madeira. A combinação de madeiras que são usadas no fabrico da Viola de Arco, nomeadamente, é a seguinte:

  • O Abeto: do inglês spruce e do latin Picea Abies (L) Karst, o abeto é usado na produção do tampo harmônico (ou tampo da frente ou tampo superior), da alma, da barra harmônica, dos blocos superior e inferior e dos 4 blocos de canto. De fato, o abeto é o único material usado na fabricação do tampo harmônico, pois é o único material suficientemente forte para lidar com o estresse do som interno e garantir a ressonância adequada. Quanto mais tempo o envelhecimento natural, o melhor, sendo cinco anos o envelhecimento mínimo adequado.
  • O Aceto: do inglês maple e do latin Acer pseudoplatanus L., o aceto é utilizado na produção do tampo do dorso (ou fundo ou tampo inferior ou tampo de trás), do braço (ou pescoço), das costelas (ou costilhas ou laterais), do cavalete, e em algumas vezes os acessórios. O aceto é uma madeira que reforça a estabilidade e aumenta a beleza.
  • O Ébano: do inglês ebony e do latin Diospyros sp., o ébano é usado na produção do espelho, das cravelhas, da queixeira e do estandarte. Embora o ébano seja o preferido, estas partes do instrumento também podem ser produzidas com outras madeiras de densidade e estabilidade similares, tal como o próprio aceto, madeira de buxo (em inglês: boxwood), o jacarandá (em inglês: rosewood).
Tão somente a fim de facilitar o estudo de sua anatomia, dividiremos a Viola de Arco em duas sessões: o braço e o corpo. E em separado e por último, iremos tratar sobre todos os seus acessórios.

O BRAÇO

O CORPO

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